QUE ELE SE MOVE, ELE SE MOVE
Última apresentação da noite. As luzes se acendem e focam no homem magro, de corpo esguio no alto da plataforma. Em trajes justos azul, vermelho e amarelo o homem segura uma haste longa. Ele não demonstra ter consciência de estar lá, no topo de um andaime “meia boca”. A música toca para anunciar o início da apresentação e a plateia se coloca em um silêncio amedrontador. O homem abre os olhos, parecem pequenos àquela distância, seu peito sobe e desce em uma respiração profunda e ritmada. Os pés se movem lentamente, como se rasgassem o ar. Tudo parece calculado e, ao mesmo tempo, não. Um passo a mais e o corpo todo estará suspenso por uma longa corda. A haste se move e a plateia nem respira. De repente a haste pende para a direita. Oh! Sussurram as pessoas agoniadas. O equilibrista, como se tudo aquilo fosse normal, volta a caminhar, sem medo. Segue a corda e vai acertando a rota conforme o seu eixo pede. Os olhos que observam de baixo esperam pelo pior. Não há redes de proteção. P...
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